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O EIXO CHAVEZ - CASTRO: A NOVA ameaça do hemisfério

Publicado el 22 de noviembre de 2005-11-22

O EIXO CHAVEZ - CASTRO:  A NOVA ameaça do hemisfério

A Colômbia poderia esperar um ataque armado venezuelano em um futuro próximo, estimulada por justificativas ideológicas, políticas e, de uma forma encoberta, também geo-estratégicas. O plano atual de rearmamento de Caracas, segundo o expressado pelo general da reserva do exército colombiano, apontaria nessa direção, já que um confronto com os Estados Unidos seria impensável pela desproporção de forças e Cuba, que era a outra hipótese tradicional de conflito com a Venezuela é, hoje em dia, sua forte aliada. O chefe de Estado venezuelano teria dito que a Colômbia representa a cabeça do monroísmo na América do Sul.

  

Escreve: Néstor RAMÍREZ MEJÍA °

 

Torna-se evidente que o presidente da Venezuela está destruindo a ordem institucional de seu país. Conta para isso com o aval de uma suposta maioria que se expressou nas urnas e com o apoio político internacional dos ex-presidentes Carter e Gaviria.

 

A política de desarticulação da malha democrática – tal como se entende na visão de mundo moderna e ocidental - tem a sua maior expressão na depuração da força armada e na conseqüente quebra da cadeia de mando, que é sagrada para a sensibilidade e a mentalidade de qualquer militar. Tem continuado com a burocratização militante do atual processo político na empresa petroleira PDVSA e na estrutura da justiça, com medidas de purgação que permitem em curto prazo conseguir recursos para a compra de adesões e na incriminação dos dissidentes vigentes ou em potenciais.  

A médio prazo, aproximadamente um milhão e meio de milicianos, 90.000 armados de fuzis russos AK-47, serão os encarregados de garantir a estabilidade do regime e forçar um equilíbrio de poder com a instituição militar legítima por meio do que tecnicamente falando é um novo dispositivo armado paramilitar criado pelo Estado. A longo prazo, para garantir esse novo panorama político, pretende-se utilizar o controle estatal sobre os programas educativos, desde a pré-primaria em adiante. Para tal fim, está ocorrendo a escalonada, mas rápida substituição de 110.000 professores por docentes efetivos que utilizarão as aulas como instrumento de doutrinamento ideológico da juventude.

 

O apoio estratégico da gigantesca operação está representado pela presença de cerca de 60.000 assessores cubanos na Venezuela, que dinamizarão o transpasso da revolução cubana à Venezuela. Tal situação é pouco invejável. Do mesmo modo, é pouco o que os tradicionais amigos do país podem fazer para ajudar em uma situação que só diz respeito aos venezuelanos, como está estipulado no primeiro artigo da Carta das Nações Unidas, no que se refere à autodeterminação dos povos.

Globalização da revolução

 

No entanto, o problema venezuelano que deveria ser interno começa a afetar o continente. O ex-ministro venezuelano Fernando Ochoa Antich, na sua palestra "Revolução, subversão e segurança hemisférica" cita algumas passagens de um discurso do presidente da Venezuela, que deixam claro as intenções políticas para o futuro: "dois eixos opostos estão se formando: Caracas, Brasília e Buenos Aires. Este é o eixo onde estão ocorrendo fortes ventos de mudanças... existe outro eixo formado por Bogotá, Quito, La Paz e Santiago, o qual está dominado pelo Pentágono... claro que nossa estratégia deve ser a de quebrar o eixo monroísta e formar uma unidade na América do Sul".

 

Esta visão e conseqüente atitude são contrárias às tendências ambíguas dos anos 90, que por um lado alentaram um fortalecimento democrático perante o totalitarismo de esquerda e os populismos de direita, mas por outro aumentaram a brecha da pobreza abonando o terreno para a germinação atual dos populismos de esquerda. Hoje em dia o mais sólido é o cubano, com sua veterana revolução apoiada, agora, em um discurso "bolivariano", que está sendo beneficiado pelo alto preço do petróleo. A vigente proposta a essa questão que avança desde o Caribe oriental não é outra coisa que uma renovada combinação dos métodos de luta.

 

A lista de evidências é eloqüente: de um lado, a formação na Venezuela da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB), a fim de criar estruturas em cada país para que se encarregue de expandir o ideário chamado "bolivariano" e a "nova pátria latino-americana", assim denominada pelos militantes dos anos 60. E do outro, o surgimento na Venezuela da Igreja "Missão Cristo", que está revivendo a velha e conhecida Teoria da libertação, que aprova os movimentos guerrilheiros como "violência legítima" e o marxismo como a práxis do cristianismo.

 

Neste mesmo sentido, é bem conhecida a afinidade ideológica de Chavez com as FARC da Colômbia, os sem-terra do Brasil, os movimentos socialistas da Bolívia, o pachakutik do Equador e aos anteriores devem se agregar os piquetes da Argentina e as frentes indigenistas do Peru.

O discurso de Chavez concebe a unidade da América Latina em um plano mais político do que econômico. Isto, segundo o critério de Ochoa Antich, significa tratar de impor "ideologias da esquerda radical, as quais exigem regimes revolucionários que põem em risco a segurança do hemisfério". Para financiar essa estratégia, o eixo Chavez-Castro criou um fundo comum alimentado e implicado na exportação a Cuba de 87.000 barris de petróleo diários, dos quais este país só consome 40.000 barris. O excedente é revendido em condições favoráveis aos países da América Central e do Caribe.

 

INJUSTIFICADO ARMAMENTISMO

Ainda que possam achar que a compra de armas efetuada pela Venezuela é uma renovação natural, lógica e necessária para tirar do inventário o arsenal obsoleto, não se pode entender qual é a ameaça que Caracas pretende neutralizar com a aquisição de 120 aviões de combate, 4 corvetas de guerra, submarinos convencionais classe kilo, 200 tanques AMX-30, 10 helicópteros de ataque e 100.000 fuzis AK-47.

 

Para fazer uma comparação sobre a dimensão atual dessa situação, é bom recordar que, quando a Argentina desafiou a Grã Bretanha nas Malvinas pôs em combate o grosso de sua força aérea, a qual não superava 50 aeronaves, prontas para a batalha contra uma das maiores potências da história, vencedora de duas guerras mundiais. O potencial aéreo argentino nessa ocasião não era muito diferente ao que possuía ao enfrentar o Chile em 1978, durante o conflito do canal de Beagle. Naquele momento, o país do Prata podia ser considerada uma potência militar da região e quase contava com a capacidade tecnológica e com a infra-estrutura para fabricar uma bomba atômica e transportá-la em mísseis de médio alcance. Tanto a Argentina como o Brasil, nos anos 80, renunciaram a possibilidade de desenvolver armas nucleares estratégicas com esse ingrediente devastador e concordaram em assinar o tratado internacional para a não proliferação desse tipo de armas. Com isso, a América Latina livrou-se desta grande ameaça, pelo menos até agora.

 

O volume de armamentos que a Força Aérea Venezuelana propõe comprar triplicaria o da Argentina que estava em estado de guerra há duas décadas. Na realidade, somente com voltar a potencializar e atualizar seus aviões F-16, os tanques medianos AMX-30 e a frota que já possui, a Venezuela aumentará de forma considerável a balança a seu favor do poder de fogo em relação à Colômbia, que é a sua principal e tradicional hipótese de um confronto bélico.

 

Cuba era a segunda ameaça hipotética contra a Venezuela, mas hoje em dia tornou-se sua aliada e um confronto com os Estados Unidos seria impensável, apesar das circunstâncias atuais, pela desproporção abismal de forças entre ambos os países. Esta última situação hipotética é tão absurda como a atitude provocadora do governo venezuelano contra a grande potência do norte do continente, unida a uma intenção de negociar material nuclear que, em caso de ser efetiva, colocaria o país no denominado "eixo mundial do mal".

 

O FUTURO IMEDIATO

A autodenominada "revolução bolivariana" se consolida na Venezuela com rapidez. No entanto, sua permanência depende principalmente de uma injeção econômica permanente e de uma campanha populista integral sustentada pelo alto preço do petróleo. Pedro Carmona, economista, mencionou que o ponto frágil do projeto messiânico poderia estar nos US$ 40.oo por barril, situação que não se visualiza em um futuro imediato e que propiciaria uma onerosa hipoteca sobre várias gerações de venezuelanos.

 

O único contrapeso da bonança petroleira da Venezuela que poderia, em algum momento, afetar a governabilidade seriam a grande corrupção que por tradição esteve presente em quase todos, se não forem todos, os governos populistas da América Latina e uma pobreza que também cresce mais além dos desbordos verbais a favor dos necessitados. Outra possível contracorrente à pretensão de hegemonia "bolivariana" é a rivalidade com o Brasil pela liderança da região.

 

O Brasil se considera um poder emergente de influência mundial e não parece possível que esteja disposto a renunciar a suas aspirações históricas, diante de um desafio que poderia ser considerado como algo passageiro e sujeito somente à contingência aleatória, ao folclorismo e a uma personalidade exaltada que, por acidente histórico, surgiram em Caracas.

 

Os governos do hemisfério, em particular os de esquerda moderada, ao contrário do que acontece com a Venezuela, requerem mais dos organismos internacionais de crédito e precisam mais de apoio do que de esquerdas radicais ou de petróleo com contraprestações ideológicas, que incluam alianças sujeitas às condições e à chantagem aberta ou encoberta. Para o continente, o prognóstico é claro: a expansão da "revolução bolivariana" não passará de um "requentado" nostálgico do começo do século XXI, o qual evoca a utopia marcada pelo fracasso do século XX.

 

Não ocorrerá na estrutura das sociedades as "grandes mutações impulsionadas pelas forças produtivas", como foi previsto pelo marxismo interpretado por Lenin. Mas sim se estimulará o tropicalismo de uma imaginação individual ou coletiva propensa às saídas que incluam o sacrifício ritual próprio e alheio, pela via armada irregular, o qual é típico da mentalidade pré-moderna.

 

Por detrás desta vocação trágica estão: o ressurgimento dos comandos revolucionários já conhecidos até o cansaço; a intenção persistente de algum grupo ativista de insistir na legitimidade armada e irregular; e como moldura deste cenário, todo tipo de movimentos sociais que mais além de reivindicarem justiça, muitas vezes terminam involuntariamente como pelotões de frente de extermínios.

 

A vizinha Colômbia poderia ser a maior prejudicada desse sombrio panorama por encabeçar, na irascível visão dos atuais dirigentes venezuelanos, o suposto eixo monroísta e, em conseqüência, um objetivo estratégico que abre expectativas a uma justificada agressão dentro desta ideologia e para a qual não faltarão pretextos, recursos econômicos ou bélicos.

 

A Bolívia poderia ser outra afetada por causa de sua desventurada e tradicional debilidade institucional, incrementada pelos conflitos étnicos que, ao mesmo tempo, estão infiltrados por radicais, excludentes e ancestrais considerações de classe. O chamado "país do altiplano" parece ter um terreno abonado para a instauração de um regime que expresse a vigência de uma autodenominada nova esquerda, a qual pretenderia remoçar o utópico discurso da pátria latino-americana. Esta idéia transformada em razão de Estado, em forma simultânea, daria margem na região a um terceiro regime de Guerra Fria, anacronismo que se supunha superado de forma definitiva.

 

Os países livres do continente estão em condições de realizar uma viravolta nessa inquietante corrente. Porém, enquanto surgem os corretivos, vale a pena começar a romper uma dialética hegeliana com rumo perverso, que antepõe aos populismos de esquerda, uns populismos de direita ou uma democracia ineficiente.

 

Os líderes da região deverão desenhar uma via alterna, uma terceira opção que, como nos casos da Índia ou da China, conseguiram sair adiante mediante o estímulo à educação e ao desenvolvimento tecnológico com uma abertura ao mundo. Mas, antes de tudo, os governos da América Latina deveriam eliminar as redes de corrupção e a impunidade que se alojam constantemente nas democracias, que por essa mesma razão as tornam frágeis.

 

O contrário seria seguir em um círculo vicioso que une o passado com o caos e faz com que nossos países fiquem expostos às saídas perigosas e regressivas, como as propostas pelo eixo Chavez-Castro, que se transformou na nova ameaça do hemisfério. (aresprensa.com)

° General da Reserva do Exército da Colômbia.

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Néstor RAMÍREZ MEJÍA

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