logo_aresprensa_notas
O ESPANHOL NO BRASIL

Publicado el 22 de noviembre de 2005

O ESPANHOL NO BRASIL

A língua, sua introdução, sua utilização é a chave mestra de quem pretende deixar uma marca indelével em uma cultura. A recente decisão do governo brasileiro para introduzir o espanhol como matéria obrigatória no currículo, ainda que seja opcional para o estudante, oferecida pelas escolas de educação básica do gigante país da América do Sul, não pode passar de maneira inadvertida em tempos de globalização, de propósitos integradores e de blocos geopolíticos continentais.

 

Neste âmbito, aproximadamente onze milhões de adolescentes brasileiros terão a opção de penetrar nos caminhos da língua de Cervantes e poderão, em poucos anos, promover uma aproximação com a visão de mundo desses países, tão próximos e tão distantes, que têm fronteiras com este povo de falar Lusitano. Um Brasil que têm sido para o mundo de língua hispânica tão próximo e tão diferente.

 

O Congresso brasileiro aprovou o projeto de lei do PSDB, partido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A aprovação do projeto passou por dificuldades constitucionais que poderiam ter propiciado seu veto, pois a idéia inicial era de que o espanhol fosse obrigatório como a segunda língua dos jovens estudantes. O autor do projeto, deputado Atila Lira, introduziu o termo de "caráter optativo" salvando a proposta, que vai beneficiar tanto os brasileiros como os que estão ao redor do Brasil e têm o espanhol como língua materna.

 

O deputado que apresentou o projeto comentou que atualmente não há criança ou adolescente que não se interesse pelo idioma falado nos países limítrofes com o Brasil, pois sabem que dominá-lo "abrirá muitas portas no futuro". Esse futuro está representado pelo intercâmbio ativo – e o aumento – que Brasília estimula através de acordos regionais, entre outras formas de dinamização das relações. O país também aspira uma presença mais contundente como potência na área que, de um jeito ou de outro, o consolida perante o mundo como interlocutor predominante da região.

Em várias universidades brasileiras já começa a ser maioria o grupo dos estudantes que estão escolhendo o espanhol como segunda língua em vez do inglês. A rede de ensino terá um prazo de cinco anos para o cumprimento da lei, que se enfrenta, desde o ponto de vista operativo, carências de infra-estrutura e de pessoal qualificado disponível para o ensino do espanhol.

 

A idéia de viabilizar a introdução do espanhol na educação do Brasil não é nova. Desde 1991, com o MERCOSUR, a aspiração de alguns legisladores e políticos brasileiros foi se incorporando e ganhando adeptos, porém tiveram que vencer resistências. Entre outras, os defensores do inglês e do francês, como alternativa obrigatória de língua estrangeira na educação do país.

 

A resistência também se manifestou naqueles que advertiram sobre a dimensão do investimento requerido para concretizar essa alternativa. A implantação da medida obrigaria o país a fazer um grande investimento: seriam necessários mais de duzentos mil professores especializados no ensino da língua espanhola e uma logística que assegurasse a disponibilidade do material de apoio.

Porém, talvez, a maior resistência não está na disposição dos opositores do espanhol, mas nas condições básicas de boa parte da população brasileira que parece não contar, na sua maioria, com o chamado "capital intangível" que permita uma abordagem viável e satisfatória das complexidades de uma língua estrangeira. Isto significa que a disposição subjetiva favorável da imposição do espanhol vai na direção oposta à disposição objetiva de apropriar a dimensão da aprendizagem.

 

Um estudo publicado faz poucos dias por especialistas brasileiros aponta que há neste país 68% de analfabetos funcionais na faixa etária dos 15 aos 64 anos. Nessa grande massa de população, segundo o relatório da Ação Educativa em parceria com o Instituto Paulo Montenegro, somente uns 50 milhões de brasileiros têm pleno domínio da leitura. Em outro, 75% se confunde com o significado de um parágrafo superior a 10 linhas. Na atualidade 53 % da população não conseguiu terminar a primária.

No Brasil, 80% dos estudantes não podem pagar os livros, os quais são fornecidos pelo Ministério da Educação. O país tem uma população de aproximadamente 190 milhões de habitantes, dos quais 60 milhões ainda são jovens.

 

Apesar do pavoroso panorama educativo descrito, alcançar a obrigatoriedade do espanhol no sistema educacional brasileiro pode ser considerada como uma vitória da diplomacia latino-americana e espanhola. Os representantes dos diversos países de língua espanhola estimularam o interesse das autoridades políticas e culturais brasileiras que apoiavam a língua espanhola como obrigatória na rede de ensino.

 

O sucesso para a afirmação da lei é fazer obrigatória a oferta dos cursos de espanhol ao estudante, que poderá optar livremente. O ambiente para o florescimento desta escolha é positivo: Atila Lira pensa que a juventude brasileira é favorável, na sua maioria, a adotar o espanhol como segunda língua. Sob essas circunstâncias, supõe-se que daqui a uns dez anos uma grande parte da população brasileira poderá falar com o resto de seus vizinhos sem a barreira do idioma, apesar das debilidades estruturais das condições educativa do país de Jorge Amado.

 

Esse contexto vem a calhar com o ingresso na equipe de colaboradores de Ares da professora paulistana Sônia Romanello, que será a editora em português deste serviço editorial. Seja bem-vinda a sua presença e essa oferta que fazemos aos nossos visitantes, cuja cultura se insere nessa língua carregada de tradições e contribuições para a humanidade. (aresprensa.com).

O Editor

0.0
Actualizado: -/-
Related Articles: BRASIL, SÍ A BOLSONARO BRASIL: ENCRUCIJADA SIN LULA BRASIL: OLIMPIADAS E INFLEXIÓN POLÍTICA SUEÑO DE UN BRASIL POTENCIA BRASIL ELIGE CAMBIOS OCULTOS EN BRASIL HOLANDA-BRASIL: CIELO DE PERDEDORES ALEMANIA-BRASIL: DUDAS DEL CIELO BRASIL-COLOMBIA: CARTAS SOBRE LA MESA BRASIL-CHILE: CIELOS FATALES
a visão de mundo desses países tão próximos e tão distantes

Visitas acumuladas para esta nota: 10244

¡SÍGANOS Y COMENTE!