COLÔMBIA: MEIO SÉCULO DA CGT

ACTUALIDAD  //  Publicado el 26 de diciembre de 2020  //  11.30 horas, en Bogotá D.C. 

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Em maio de 2021, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) cumprirá 50 anos de existência  na Colômbia. Em meio a uma crise global e estabilidade condicionada, o mundo da produção e das relações de trabalho está sujeito a mudanças imprevisíveis. Nesse quadro, qualquer um pode ser o mais atingido e que, como tem sido recorrente ao longo do período histórico denominado Modernidade, atinge com mais rigor os trabalhadores e suas organizações de defesa de direitos e demandas de ampliação na oferta de justiça e igualdade, típico do discurso e promessas do Iluminismo. A celebração que se aproxima permitirá destacar os cenários de reflexão e revisão sobre o caminho percorrido por esta Organização, de forma alguma curta como é evidente. Independentemente do evento, a liderança da entidade espera não só manter a unidade de ação com outras centrais do país e no âmbito continental e global, mas também fazer sentir a sua voz em fóruns internacionais de sua competência, como a OIT e outros espaços semelhantes. A situação de risco em que se encontra a humanidade impõe uma necessária participação dos trabalhadores nas mudanças que irão alterar definitivamente os rumos do mundo, a democracia e os direitos que estão ameaçados por demasiados fatores e operadores de artimanhas.

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Escreve: Rubén HIDALGO * ( inglés  //  español )

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Considera-se que a CGT é atualmente a organização colombiana de entidades sindicais que reúne o maior número de associados do país andino. A concepção que tem guiado o seu percurso na história daquela sociedade está ligada desde os seus primórdios ao pensamento social da Igreja, para depois tornar-se laica na sua evolução argumentativa, sem esquecer aquelas raízes na sua preocupação pelos menos dotados com os benefícios do referido projeto moderno. Isso implicou na orientação institucional e ao longo das décadas que se seguiram à sua fundação, uma manifesta independência de qualquer capela ideológica e de todas as formas de extremismo desagregador. Isso incluiu o distanciamento vertical e a denúncia de todas as formas de ditadura, inclusive a de pensamento que hoje impera na região, com o abuso das liberdades. Da mesma forma, foi feito com aqueles que entenebreceu a América Latina na história recente e que emergiram dos quartéis, com resultados desastrosos tanto no âmbito institucional quanto no equilíbrio das vítimas humanas e do Estado de Direito.

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Essa visão humanista levou a entidade sindical colombiana a se vincular à Clat (Central Latino-americana de Trabalhadores), que entre os anos 60 e 90 do século passado, orientou quem dentro do sindicalismo latino-americano ficou à margem de qualquer narrativa messiânica - incluindo os quais apelaram à luta armada - para insistir na busca de todas as reivindicações e protestos dentro do jogo das instituições democráticas e do respeito pela diferença. Por isso, nunca aderiu ou relacionou-se com a convocação do chamado Fórum de São Paulo, em grande parte protagonista de mais de um processo de desinstitucionalização, mesmo no presente, entre os países deste lado do mundo. No entanto, manteve-se até hoje em um elo de ação unificado com as demais organizações sindicais nacionais, ainda que tenham uma visão social e política diferenciada do pensamento da CGT. A unidade de ação em defesa dos menos favorecidos tem sido constantemente um dos slogans explícitos da CGT, de acordo com seus postulados e ao longo de sua história.

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Julio R. GÓMEZ E. (Q.e.p.d.) **

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Atualmente, a Organização está integrada ao Comitê Nacional de Greves e tem participado com seus afiliados em manifestações de rua que ocorreram em todo o país no último ano, embora tenha condenado sem ressalvas o vandalismo e as ações terroristas que desviaram o significado inicial dos protestos convocados desde o final do ano anterior. Segundo a memória em livro publicada pela CGT há dois anos, ela é definida como humanística, concertada, autogestionária e autônoma, em uma enumeração específica dos valores que, se supõe, guiaram suas ações em seu país de origem e na América Latina. Seu atual presidente é Julio Roberto Gómez, um líder que partiu da base em meados da década de 1970. No início dessa longa história, a CGT teve lideranças de destaque que orientaram os primeiros passos. Figuras como Heliodoro Agudelo e Víctor Baena estiveram entre elas. Este último foi um dos protagonistas da famosa greve cívica nacional de 1977, que marcou um antes e um depois do sindicalismo colombiano na mencionada unidade de ação.

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Esta central de trabalhadores não evoluiu apenas na capacidade de inserção no futuro e destino do país colombiano. Além disso, talvez sem que seus líderes históricos o tivessem suposto, se cumpriu neste meio século com uma máxima de Hegel: “... progredir é avançar conservando ...”. Não é necessário romper com tudo do passado para transformar o presente e o futuro. Ou seja: tem mantido a vitalidade institucional ao contribuir para um “... sindicalismo de valores e princípios ...”, como afirma o slogan da entidade regional que se conhece como Alternativa Sindical das Américas. Uma instituição do novo modelo que a CGT da Colômbia ajudou a moldar, com setores majoritários de forças semelhantes no México e no Brasil, entre outros poderosos do continente de língua espanhola e portuguesa. Este apelo organizacional surge não apenas em momentos de restrição produtiva devido ao efeito pandémico, mas também devido a alterações nos modos de produção e prestação de serviços, que são inferência e consequência dos impactos gerados por tecnologias de ponta e alterações nos hábitos sociais, para entender a política e enfrentar o consumo.

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Víctor BAENA L.

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No referido mundo em crise, do qual a CGT se considera protagonista na possibilidade de fornecer critérios para as soluções, inicia-se um novo ciclo histórico. Essa é uma de suas expectativas no limiar de uma celebração não desprezível em termos do alívio da experiência e do conhecimento acumulado sobre o social e do trabalho, bem como as atividades políticas dos colombianos no específico e latino-americanos em geral. Em sua liderança atual existe um núcleo de conselheiros de base com formação superior e média, articulados com aqueles que carregam as tradições acumuladas e a sabedoria com que podem contribuir. Outra máxima que costuma ser mantida no meio acadêmico se cumpre aqui: a articulação da experiência do ex-vetera (velho) com a renovação da ex-nova (novo). Isto é, mais ou menos, que ninguém pode se sentir tentado e ficar impune, em uma eventual necessidade de "jogar veteranos pela janela". A presença jovem na orientação da CGT indica não só a passagem do tempo, mas também a inevitável transferência geracional que muda as perspectivas sobre o meio ambiente, mas não o núcleo forte do eixo do pensamento: os valores estratégicos que sobreviveram em meio século (aresprensa).

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* Traducción al portugués: Lucas Souto Ribeiro - Salvador / Bahía / República Federativa de Brasil

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VÍNCULOS : COLOMBIA: MEDIO SIGLO DE LA CGT  //  COLOMBIA: HALF A CENTURY OF THE CGT //  EL CIUDADANO ÁLVARO URIBE

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** En la víspera, 25 de enero de 2021, falleció en la ciudad de Bogotá D.C. don Julio Roberto Gómez Esguerra, presidente de la Confederación General del Trabajo de Colombia (C.G.T.)y prominente dirigente sindical latinoamericano. Luchó durante más de cuatro décadas por los derechos de los trabajadores de su país y de América Latina. Paz y memoria para un gran líder social de esta parte del mundo.   

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26 dic 2020
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